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sexta-feira, 13 de novembro de 2009


Não mais chorara desde a morte. Os factos, a realidade já não a comoviam, estranhamente...até aquele instante - a única coisa que ainda a surpreendera - a simbologia (não a de Fulcanelli), os acasos, o tabuleiro de xadrez. Tinha saído do mesmo lugar de sempre, onde o deixara com um beijo de cortesia, máscara que a afundara no cheiro que tão bem conhecia - cheirava a miminho quando acordava - cheirava a restos naquele instante. Chovia. Ela andava sozinha pelas mesmas ruas que ainda os atravessavam, era noite cada vez mais cedo e chegara ao mesmo parque de estacionamento, aquele que todos os dias pelas manhãs era cheio de movimento e confusão, estava ali quase vazio, e à medida que se aproximara, de repente, dois carros no mesmo espaço, paralelos, separados por três lugares entre si, um virado a norte, outro, para sul. Os mesmos que outrora dormiram um atrás do outro e rodavam quase sempre na mesma direcção, e agora ali, quase estranhos, para lados opostos, mas ainda no mesmo espaço, ainda demasiado perto. Como eles.
O piano de Michael Nyman tocava naquele instante só para ela, e no entanto, ainda sabia que havia framboesas e morangos debaixo da pele dele.
Perdera apenas a capacidade de o olhar. É na ausência que encontramos o que está mais presente.