Cada vez mais me convenço de que esta profissão é muito ingrata...passamos a vida a tentar resolver os problemas dos outros, cheios de prazos em cima de nós, não temos horários, dormimos nos escritórios, aturamos toda a espécie de gente (sendo que os piores ainda são aqueles que outrora andavam de martelos), somos obrigados a ser muito civilizados, direitinhos, e quando ofendemos, dizemos sempre, primeiro, "vossa excelência", somos cada vez mais mal pagos (quando somos), alfabetizamos imensa gente que para aqui aparece com a grande sabedoria popular, convencidos que são donos da razão e de todo o saber, ouvimos as maiores tangas e também as verdades mais cruéis. Se ganhamos somos os melhores do mundo, se perdemos somos os piores do mundo...com isto e muito mais ainda se vai aguentando, o pior surge quando nós, temos problemas, (por mais incrível que pareça...)e aí é quando percebemos que temos uma responsabilidade deste mundo e do outro (que é o mundo das pessoas que carregamos) e que não nos podemos dar ao luxo de parar, sem que um bola de neve nos atropele.
E para quê?
Eu sei, minha querida amiga, que sempre te esforças-te imenso, que dormiste naquele escritório de escravos, que te faltou a respiração, que tiveste dores no diafragma, que perdeste dias do sorriso do teu filho, e que por isso tudo é muito triste ainda levares com isto, mas não poderia deixar de te dizer, que sempre foste brilhante e que esta profissão precisa é de pessoas como tu.
E em resposta à tua mensagem, digo-te: apesar de tudo, não tenho dúvidas que nasceste mesmo para isto!