sexta-feira, 15 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Labirinto
Receio a tua cólera. Não suporto mais seguir-te no teu labirinto. Sacrificas-me. Deixei-te por duas vezes, voltei duas vezes. Estás em mim como uma ferida.
Não devia ter vindo. Não nos entendemos. O nosso desejo, o nosso prazer são dolorosos. Fazes-me mal e pedes-me para não gritar. Ainda ousas dizer que te pertenço. Desintegro-me nos teus braços. Disformo-me. Bebo aguardentes que me queimam. Começo a odiar-te. Há um polvo morto sobre o mármore da cozinha. Continuo ao mesmo tempo a amar-te desmedidamente.
P.P.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Tanto te quiero perrito, pero pan poquito
Se existem coisas que me deixam furiosa, a inveja é uma delas...
Então, todos nós ficámos tão alegres, foi motivo de notícia destacada, o facto de Obama ter escolhido, para cachorro presidencial, um cão de água português, o Bo!
Ora, um privilégio do qual mais nenhuma outra nação se poderá gabar, o que prova para além do mais a existência de um gene português que faz a diferença no que realmente é importante.
Obama é um vencedor, Bo, o português, também! Há dúvidas?
Só um cão português é que pode transmitir toda a pujança de um povo líder, diz-se inclusivamente, e passo a citar, "O cão de água português foi escolhido para ir morar para a Casa Branca por ser considerada uma raça adequada a pessoas com alergias, como é o caso de Malia (filha mais velha de Obama)".
São só benefícios. A esta altura interrogo-me como é que o Sócrates ainda não pensou nisso, é que é claramente um sinal de "status"...
Bom, talvez não seja boa ideia tentar, não vá o cão ser alérgico...e lá se estraga o bom nome da raça, no entanto o que me leva a escrever é a indignação que senti ao ler esta notícia fruto da especulação espanhola e da profunda inveja que desde sempre, e até aos dias de hoje, consumiu aqueles seres.
Que, culpa temos nós de possuirmos tão promitente economia, de sermos um povo alegre e bem disposto, bem sucedidos, de não chorarmos o nosso triste fado, nem de o reinventar à falta de melhor...
Vêm logo estes invejosos dizer que o cão é oriundo da Península Ibérica, como se isto fosse tudo nosso??
Só faltava noticiar que o cachorro tem muito "salero" (coisa absolutamente dispensável para todos nós) e que é licenciado pela Universidad Canina de Madrid, na arte de bem tocar .....castanholas!
Continuo sem perceber por que é que o Sócrates não o quis...
segunda-feira, 13 de abril de 2009
A acessoriedade do Amor...
Hoje dei por mim a pensar, que é algo que tendo a evitar porque me esgota profundamente, cansa a beleza dos que me são próximos e nunca resulta em algo que mereça umas, ainda que poucas, linhas. Porém tenho esta presunção imutável de que vos consigo exaurir a perseverança, pelo que aqui fica o resultado da apurada colaboração e esforço de equipa dos meus neurónios.
O Amor não é um sentimento puro. O amor é antes de mais um sentimento oportunista. Vive da dependência de um mutualismo que, a desaparecer o faria perecer como um qualquer comensalista.
O Amor não vive só. Não se consegue simplesmente amar.
Ora vejamos, se se ama e o objecto amado se encontra na esfera de outrém, sente-se inveja, ciúme, cobiça. Se se ama e se têm por perto o objecto da nossa afeição então a par do Amor vivem o medo e a posse, que em regra o subjugam aos restos do que comem, porque tudo o que é negativo tende a sobrepor-se.
Se nos magoam o Amor e o ódio confundem-se de tal forma que momentos existirão em que teremos dúvidas sobre qual sentimento veio primeiro, se um matou o outro ou se, enfim, conseguem subsistir os dois mantendo a sua integridade filosófica.
Tentei recordar-me de um qualquer tipo de amor que pudesse considerar puro, principal. Remeti-me para o amor materno e, quando lá cheguei, conclui que nem mesmo este é desprovido de uma complementaridade com outros sentimentos, como a posse, o capital paternalismo, a tendência exacerbada de querer transformar pequenas criaturas em espelhos nossos ou, pelo contrário, em algo diferente daquilo que fomos ou somos, porque, afinal, temos medo…
Com muita pena minha sou forçada a concluir que o Amor é antes de mais um sentimento parasita que se alimenta da nossa liberdade e da dos outros e que acaba, quase sempre, por mata-la.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Orgasmo em chamas!

Porém, o climax apenas é atingido quando chama os bombeiros e se delicia a vê-los trabalhar....
É um menino maroto...que após umas férias forçadas (4 anos num hotel de luxo com vista para o mar apenas levemente ofuscada por umas, poucas, grades), tenta novamente a lei das probabilidades, esforça-se pela educação, e vai daí, incendeia uma escola...esforça-se pela penitência....e incendeia uma capela.
É caso para dizer:
Pirómanos deste país: Metam o próprio pavio a arder!
