Se algum dia por acaso
eu voltar a rasgar a tua latitude neste planeta
podes abocanhar-mecaçar-me
com os incisivos balançar-me na boca
não aceites as minhas habituais desculpas
de nómada
nem
acredites quando te disser que tudo o que tenho
cabe dentro de uma mala
começa por enconder-me os sapatos
convence-me a destruir os mapas de viagem
e a engolir âncoras pedras uma morada
com número na porta
mesmo que o meu desassossego geográfico
estremeça a perna direita
debaixo da mesa e agite o metal dos talheres
não hesites
leva-me para tua casa
prova-me que não tenho que apanhar o último comboio da noite
que incendeia a costa e que me ajuda
a fugir todas as madrugadas
recebe-me nas zonas sem roupa
do teu corpo
manobra-me a língua
usa-me
quando a tua carne já não precisar de mim
amarra-mecuida do meu sono temporário
obriga-me a dizer-te aquilo que os meus dentes
sem coração nunca autorizaram.
Hugo Gonçalves "Tantas mãos, a mesma Primavera",

6 comentários:
preparo-me para uma etapa nómada da minha vida, por isso gostei especialmente deste :-)Blanche.
Olha o china também aprecia a cultura portuguesa, que fofo.
Dizendo tudo o que já se passou, e antevendo o que ainda está para a vir há apenas uma palavra para descrever estas estrofes: brilhantes!
loirices: ainda bem! olha eu já estou nómada há muito...
Gino: pois também acho...quanto ao china, é que já não há paciência...
Não há paciência e as autoridades não actuam. Creio que qualquer dia será formada uma milicia popular contra o china.
Lindo, e dido eu que não sou nada de poesias, eu sou mais prosa.
Mas a alma de nómada encanta-me... ;)
gino vai ao google traduzir isso do china...hahahaha vou so por aki uma pekena parte
Shin Aya Clínica Ortopédica
frutas congeladas,couro, ,costura couro cabeça de olhos abertos, bolsas dos olhos, Takashi Nariz, nariz, Takashi a perfuração do osso, odor a raposa,
????????????????????
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