Cada vez mais me convenço de que esta profissão é muito ingrata...passamos a vida a tentar resolver os problemas dos outros, cheios de prazos em cima de nós, não temos horários, dormimos nos escritórios, aturamos toda a espécie de gente (sendo que os piores ainda são aqueles que outrora andavam de martelos), somos obrigados a ser muito civilizados, direitinhos, e quando ofendemos, dizemos sempre, primeiro, "vossa excelência", somos cada vez mais mal pagos (quando somos), alfabetizamos imensa gente que para aqui aparece com a grande sabedoria popular, convencidos que são donos da razão e de todo o saber, ouvimos as maiores tangas e também as verdades mais cruéis. Se ganhamos somos os melhores do mundo, se perdemos somos os piores do mundo...com isto e muito mais ainda se vai aguentando, o pior surge quando nós, temos problemas, (por mais incrível que pareça...)e aí é quando percebemos que temos uma responsabilidade deste mundo e do outro (que é o mundo das pessoas que carregamos) e que não nos podemos dar ao luxo de parar, sem que um bola de neve nos atropele.
E para quê?
Eu sei, minha querida amiga, que sempre te esforças-te imenso, que dormiste naquele escritório de escravos, que te faltou a respiração, que tiveste dores no diafragma, que perdeste dias do sorriso do teu filho, e que por isso tudo é muito triste ainda levares com isto, mas não poderia deixar de te dizer, que sempre foste brilhante e que esta profissão precisa é de pessoas como tu.
E em resposta à tua mensagem, digo-te: apesar de tudo, não tenho dúvidas que nasceste mesmo para isto!
6 comentários:
Já o ouvi mais vezes… o “nasceste para isto”, mas nunca me doeu como hoje.
Eu própria o apregoo, sendo certo, admito, que não julgo que o faça por imodéstia, faço para me ouvir a mim mesma. Como se tivesse que dizer em voz alta que não foi tudo em vão. Porque foi muito por nada.
Se eu nasci para isto, como também já te disse, morri! Não vou voltar a fazê-lo, embora me brilhem os olhos a cada descoberta que passou desapercebida aos outros, embora me sinta quase mais excitada a criar raciocínios lógicos que naquela que é a minha grande fraqueza… Quis o destino que me visse privada de ambas… :D
Tenho dias em que me sinto desaproveitada, que me sinto morrer nesta inércia mas não vou voltar a correr o risco de saber que posso fazer uma asneira maior e que implique a vida de outros, só porque a minha, enfim… tu sabes!
Se queres saber há um tipo de reconhecimento que vale por todos os outros… O dos colegas que me são próximos e que mesmo me sabendo afastada ainda assim me procuram passado quase dois anos e sabendo dos meus males.
uma descrição muito realista do que é o stress profissional hoje me dia.
e depois vêm aqueles dias que procuramos o sentido disto tudo!
FILHOS DA PUTA É POUCO.
Francis: é muito o stress.
Loirices: é verdade, abraço.
freakand: ah ah, pois é! kiss.
acho que quase todos nós nos sentimos um pouco assim...
bjs
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