Hoje dei por mim a pensar, que é algo que tendo a evitar porque me esgota profundamente, cansa a beleza dos que me são próximos e nunca resulta em algo que mereça umas, ainda que poucas, linhas. Porém tenho esta presunção imutável de que vos consigo exaurir a perseverança, pelo que aqui fica o resultado da apurada colaboração e esforço de equipa dos meus neurónios.
O Amor não é um sentimento puro. O amor é antes de mais um sentimento oportunista. Vive da dependência de um mutualismo que, a desaparecer o faria perecer como um qualquer comensalista.
O Amor não vive só. Não se consegue simplesmente amar.
Ora vejamos, se se ama e o objecto amado se encontra na esfera de outrém, sente-se inveja, ciúme, cobiça. Se se ama e se têm por perto o objecto da nossa afeição então a par do Amor vivem o medo e a posse, que em regra o subjugam aos restos do que comem, porque tudo o que é negativo tende a sobrepor-se.
Se nos magoam o Amor e o ódio confundem-se de tal forma que momentos existirão em que teremos dúvidas sobre qual sentimento veio primeiro, se um matou o outro ou se, enfim, conseguem subsistir os dois mantendo a sua integridade filosófica.
Tentei recordar-me de um qualquer tipo de amor que pudesse considerar puro, principal. Remeti-me para o amor materno e, quando lá cheguei, conclui que nem mesmo este é desprovido de uma complementaridade com outros sentimentos, como a posse, o capital paternalismo, a tendência exacerbada de querer transformar pequenas criaturas em espelhos nossos ou, pelo contrário, em algo diferente daquilo que fomos ou somos, porque, afinal, temos medo…
Com muita pena minha sou forçada a concluir que o Amor é antes de mais um sentimento parasita que se alimenta da nossa liberdade e da dos outros e que acaba, quase sempre, por mata-la.
21 comentários:
Nem só parasita.
O Amor também é um ditador. Controla tudo o que se pensa, diz e faz. Quando o Amor "ataca" fica-se parcialmente cego, como burro com palas, recusando ver o que não é correcto na pessoa "alvo" ou o que nunca se pensou fazer, é agora comportamento quotidiano e saudável. Toma conta de tudo: desde a falta de apetite aos batimentos cardíacos; o que se diz é filtrado, de modo a que não possa haver algo que fira susceptibilidades. O Amor controla corpo e consciência. De forma ditatorial. Sem contemplações.
i've been there i've done that e concluí que esse tal amor incondicional é aquele que tive pela minha gata, tive pq ela morreu e agora não quero mais nenhuma. O amor não se substituí. Vive-se e pronto.
o amor é um negócio...uma parceria, enquanto for bom para os 2, resulta.
Minha querida Noir (se há nome que lhe assenta é exactamente esse, por tudo):
O amor é, diriam uns, um lugar estranho. Por uma lado é sim um parasita que se alimenta de nós e nos consome e por outro é uma pequena remona...
Para mim sempre vi o Amor como o inalar calculado de Zyklon B...
Amor? O que é isso?... :)
Noir
Não vim aqui falar do Amor, porque, como sabe, é um assunto a que sempre assisti à distância. (Até agora, e pouco me importa que ele seja parasita, comensalista, canibal ou, simplesmente, orgásmico.)
Venho dizer-lhe que estou impressionado com o progresso do seu vocabulário activo: exaurir, comensalista, enfim, concluir, considerar, afeição...
Só a última palavra (mata-la) é que era desnecessária.
Bj
Meninas
Aí vai um tema do melhor e mais genial músico Rock.
Sei que vão achar a coisa barulhenta, mas tentem conhecê-lo.
http://www.youtube.com/watch?v=nLPIxe6GUKY
O amor pode ser a nossa maior fonte de força mas também de fraqueza! O amor anda sempre de mãos dadas com vários sentimentos, sejam eles bons ou não.
Ai a minha Cleopatra ... logo agora que a tinha conseguido esquecer ...
ai o amor... esse sentimento util.
Bjs
Flávio: Resta dizer que todos os ditadores têm destinos trágicos...
Loirices: Não te vou responder com a primeira coisa que me veio à cabeça porque não o devo fazer aqui tamanho seria o melindre... Mas entendo o que queres dizer em relação à gata. Foi um dos meus grandes amores de tal forma que o elogio que lhe faço é com o famoso poema de Auden.
Francis: Acho que essa visão ainda é pior que a minha :D
Lost: Lá vem o menino atirar-me à cara a minha profunda ignorância... De qualquer forma ainda não entendi como é que funciona isso de forma calculada eheheh
Maldonado: Não te preocupes. Também me parece que l'amour c'est pas pour toi...
PS-http://www.youtube.com/watch?v=vMc0DThVhHs
LFM: A mim não doi mesmo nada... Conheço esse menino de outros carnavais. Agredecida pela crítica construtiva. Sabe bem que estou cá, acima de tudo, para o agradar. Shuac!
André: Le amour c'est comme l'argent, il ne fait pas le bonheur, mais il y contribue...
Faraó: Lá está o menino a ser paternalista ... (esta vais ter que ir buscar bem fundo) eheheh
Vulgar: É capaz de ser útil para algumas coisas... Nomeadamente conheço tipos de amor que são úteis a fazer camas, preparar almoços, aquecer pés e passar roupa a ferro eheheh
Hello Noir!
Muito haveria para dizer sobre este tema, no entanto, e de uma forma bastante simples e rápida digo que de facto não se consegue simplesmente amar mas acredito na pureza deste sentimento. Temos é de o despir de tudo o que anda à volta dele e aí sim poderá se tornar puro.
Kisses.
o amor é uma quantidade imensa de sentimentos que temos de gerir, se possivel, a dois...
é uma filosofia dessa gestão, do egoismo partilhado, do que projectamos como sendo o melhor querer-bem
com tantas variaveis, variantes, nunca poderá ser puro, ou coiso.
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